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Do al-Andalus à Índia

Do al-Andalus à Índia

Exposição de Joalharia Contemporânea de Ana Caldas
Museu Oriente - Lisboa

8 Outubro a 14 Novembro 2010

Do al-Andalus à Índia

O projecto “Manufacturas do al-Andalus” iniciou-se mentalmente em 2004.
Desde aí, houve várias transformações ao nível visual, significado e simbologia.
No início, a inspiração do vasto património artístico e cultural ibérico levou-me
à (re) descoberta da História;o esplendor do al-Andalus, com a presença do Islão,
do Judaísmo e do Cristianismo, levou-me a considerar o espaço transfronteiriço
das artes mediterrânicas e a uma maior necessidade de o repensar e de o recriar.

Em 2007 as fontes visuais, mentais e espirituais foram-se alargando e manifestando
de uma forma sinuosa, contemplativa e intensa: a geometria, os florais, os pássaros,
a Árvore da Vida, a poesia, o pensamento … foram-se materializando em pendentes,
colares e brincos.

Após algum tempo de pesquisa e estudo, e a persistência em ligar património,
arte e joalharia, levaram-me a outras experiências, também elas não menos
interessantes, que anteviram o que faço na actualidade. No caso mais específico,
o “Tesouro Ibérico”, uma caixa/relicário, inspirada nos morábitos ibéricos
e transfronteiriços.

Em 2008 a experiência da Bolsa de Estudo na Índia interligou uma série de questões
internas face à joalharia e ao meu próprio pensamento:a experiência humana
da ornamentação, compreender os elos de ligação cultural entre Ocidente e Oriente,
a compreensão do “Outro”, relacionar os valores simbólicos e espirituais da imensa
variedade do nosso  património artístico e cultural. O cruzamento de experiências
e a riqueza da abundante criação da Índia, que também imana da fusão hindu-
muçulmana, fez-me repensar o meu trabalho como joalheira, permitindo-me avançar
numa rede de relações estéticas e simbólicas.

Esta alargou-se a outros mundos, emergindo universos e formas já pensadas
anteriormente, mas agora mais carregadas de significado e sentido: os colares-
relicário e os colares/caixas-relicário tornaram-se os condensadores de metáforas
de espaços sagrados. Os anéis, que só em 2010 realizei, absorveram espaços
de fruição e contemplação amorosa e poética dos “diwans”, espaços devotados
à leitura, declamação e recitais, presentes nas culturas mediterrânicas.

As obras actuais em prata, pedras semi-preciosas, a utilização de sementes
sagradas, os rosários, as sedas, os elementos ornamentais, a Ideia e a visão,
fundiram-se numa espécie de cadinho mental, tornando-se como um microcosmos
a proclamar o corpo como uma palete e suporte de ideais. E o corpo, assim
ornamentado, levou-me a considerar o rico património material e imaterial
da Humanidade, entrelaçando-se com os ideais de Beleza, Paz e Harmonia,
ideais que estiveram sempre presentes desde o início da minha criação.


+ info:
Museu Oriente
Av. Brasilia, Doca de Alcântara (Norte)  Lisboa
Ana Caldas
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93 4013215

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