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Joalharia Medicamente Prescrita
Olga Noronha | Membro PIN

 

Quando, entre uma história e outra, Olga Noronha confessa com entusiasmo não haver nada que lhe «dê mais prazer do que começar as coisas e não saber onde elas vão acabar», percebe-se imediatamente como conseguiu, em tão tenra idade (tem atualmente apenas 25 anos), lançar um conceito tão audacioso como aJoalharia Medicamente Prescrita. «Estou a propor joalharia para estar dentro do corpo», explica a designerportuguesa, com a segurança de quem tem uma fé inabalável na sua ideia.

Tudo começou com o projeto de final de curso, na Central Saint Martins College of Art & Design, em Londres. Desafiando-se e enfrentando o seu trauma de agulhas, usou-as para criar joalharia. O projeto, então chamado Conflito: Rejeição/Atração, viria a transformar-se na sua tese de mestrado e agora doutoramento (que está a desenvolver na Goldsmiths College), dando origem ao irreverente conceito de Joalharia Medicamente Prescrita.

«Estou a propor joalharia para estar dentro do corpo».

Familiarizada com o mundo da medicina – ambos os pais são médicos e o pai é ortopedista e diretor clínico da Federação Portuguesa de Futebol -, Olga Noronha lançou-se numa profunda investigação acerca do universo das próteses e ortóteses para dar vida à Joalharia Medicamente Prescrita. Tendo como ideia central «única e simplesmente o potencial de personalização, colocar um gatilho emocional» em instrumentos médicos como colares cervicais, talas ou próteses, o conceito desenvolvido pela designer permite que estes objetos sejam personalizados pelo paciente, que pode escolher o material, decorá-los com pedras ou metais preciosos ou simplesmente adicionar um detalhe interessante, como um belo poema. Quando confrontada com a questão inevitável – quem vai ver estas peças, se estiverem escondidas dentro do corpo? –, responde: «Por algum motivo isto também é chamado joalharia de autossatisfação», salientando sempre a vontade de colaborar para a rápida recuperação daqueles que necessitam destes instrumentos após sofrerem um trauma corporal.

E a chegada ao mercado deste projeto parece estar cada vez mais próxima. «Segundo os pareceres médicos e de bioengenharia, neste momento a Joalharia Medicamente Prescrita (as placas de fixação de clavículas, as placas de fixação de filigrana, etc.) está pronta a colocar dentro do corpo – exceto as próteses da anca, que ainda não estão desenvolvidas a nível de serem colocadas imediatamente», revela Olga Noronha, sem tentar esconder o orgulho de ver o seu projeto a caminho da concretização.

 


 

+ info:
http://olganoronha.com/works/

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