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A joalheria como poética
Aglaíze Damasceno, Brasil
Novembro 2010

No Brasil, podemos considerar que a joalheria, como criação genuinamente nacional, surgiu com a chegada da corte portuguesa em 1808, acontecimento que culminou na abertura dos portos ao comércio mundial. Tal abertura comercial fez com que abrissem livrarias, casas de moda, lojas de luxo mas foi somente com a vinda dos franceses, em 1815, que surgiram as casas de joias, de moda perfumes e bijuterias.
 
No que diz respeito as artes, o Príncipe Regente D. João VI, contratou na Europa um grupo de artistas e artífices para que fizessem funcionar uma “escola de ciências, artes e ofícios” em terras brasileiras. Entre os artistas estavam os pintores Jean Baptiste Debret e Nicolas Antoine Taunay e o arquiteto Henry Victor Grandjean de Montigny. Em 1826 D. Pedro I inaugura a Academia de Belas Artes,  inaugurando também a separação entre  a  esfera da arte e a esfera dos ofícios manuais e artesanais no Brasil.
 
Ao analisarmos a produção artística contemporânea,  vemos uma grande quantidade de artistas que constróem suas poéticas dialogando com várias expressões tanto artísticas quanto manuais,  onde buscam sobretudo a soma de fazeres e de linguagens plásticas.
 
É nesse sentido, dentro da abordagem do diálogo entre linguagens, que podemos citar o artista brasileiro Tunga. Seu caminho percorre os campos da  escultura, do desenho e da performance, com criações que buscam constantemente a poesia.

Tunga diz, em entrevista concedida a Bruno Porto:
"Eu não me considero um artista plástico. Considero-me um poeta. O poeta se define classicamente pela palavra. Para mim, o poeta se define sobretudo pela poética. E poética não é um termo que se restringe ao uso das palavras, pode se expandir ao uso das mais indeterminadas formas de expressão."

Em Xifópagas capilares entre nós, é a história de irmãs gêmeas siamesas que nasceram unidas pelo cabelo, essa união física causa uma inquietação e impacto visual para o espectador que vivencia tal fenômeno.

Tunga / Xifópagas capilares entre nós / Performance / 1985
Tunga / Xifópagas capilares entre nós / Performance / 1985
No  repertório criativo de Tunga, dentro dessas várias  formas de expressão  podemos citar a joia A bela e a fera, apresentada em um a performance  em 2001 em Madri. A peça é uma miniinstalação, inspirada na escultura  que está no jardim do Peggy Guggenheim Museum. Criada para sua mulher Cordélia, o trabalho é formado por dois corpos, um contendo um espaço vazio correspondente à  protuberância do outro, eles não se completam nunca. Os dois corpos estão cercados por corpos menores e dependendo do ângulo que o observador  vê a peça, ela se transforma.

Tunga  baseou esta joia no trabalho de San Juan de la Cruz, poeta, místico, fundador dos Carmelitas Descalços, famoso pela sensualidade de seus versos religiosos. Na performance realizada com a peça, uma figura feminina, alheia ao público, interage com A bela e a fera em uma atmosfera de intensa intimidade.


Tunga / A bela e a fera / Ouro / 2001
Tunga / A bela e a fera / Ouro / 2001
Vale estudar e conhecer um pouco mais do trabalho do Tunga, suas pesquisas de materiais e linguagem, sobretudo seu universo dentro do seu processo    criativo... Um dos artistas brasileiros contemporâneos mais conhecidos e reconhecidos nos principais museus e galerias do mundo, a saber o MoMA em  Nova York, o Louvre em Paris dentre tantos outros.
 
Em  One on One, Tunga compartilha um pouco sobre suas inspirações e suas criações...
 

 

 

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