PINAPARIS

Ana Campos

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Ilhas da Raiz do Sol
Um Barco Negro chega a Nagasáqui. 
Numa fervilhante atividade, descarregam-se mercadorias para bateis e transportam-se em direção à praia para serem apreciadas. 
A pintura deste biombo descreve o encontro intercultural de Japoneses e Namban-jin – nome atribuído aos Cantoneses, Coreanos e, posteriormente, sobretudo aos Portugueses, mas também aos Espanhóis vindos das Filipinas. Com os Portugueses, iam Indianos, Africanos,  Malaios e Muçulmanos. Os produtos transportados provinham de Portugal, da China e da Índia. 
Podemos hoje, portanto, entender este e os outros biombos Nambam da mesma sala do Museu Nacional de Arte Antiga como representações alegóricas de uma primeira globalização com uma vitalidade própria. Centrando-se nas trocas comerciais, refletiu-se nas práticas religiosas e originou mestiçagens nas materializações do imaginário, deixando vínculos inscritos nas línguas e em certas práticas quotidianas. 
Ao longo dos séculos, certas matérias e produtos que então tinham constituído objetos de troca, foram seguindo sucessivas dinâmicas e sendo investidas de novos sentidos. Tal é o caso da seda que, como descrevem os biombos atribuídos a Kano Domi, era transportada pelos Portugueses, provindo da Índia ou da China, e, mais tarde, sendo produzida no Japão ganhou novas características.
Evocando as marcas e a progressão desta teia intercultural, Ilhas da Raiz do Sol – o nome atribuído na China às Ilhas Nipónicas – são feitas a partir de seda Japonesa, através do processo de electroforming.

 

Ana Campos / Ilhas da Raiz do Sol / pendente / prata branqueada / fotografia Francisco Arag227;o
Ana Campos / Ilhas da Raiz do Sol / pendente / prata branqueada / fotografia Francisco Aragão
Ana Campos / Branqueamento / Objecto de m227;o / Prata branqueada / 1995 / fotografia Pedro Sottomayor
Ana Campos / Branqueamento / Objecto de mão / Prata branqueada / 1995 / fotografia Pedro Sottomayor
Ana Campos / Branqueamento / Objecto de m227;o / Prata branqueada / 1995 / fotografia Pedro Sottomayor
Ana Campos / Branqueamento / Objecto de mão / Prata branqueada / 1995 / fotografia Pedro Sottomayor
Ana Campos / Branqueamento / Objecto de m227;o / Prata branqueada / 1995 / fotografia Pedro Sottomayor
Ana Campos / Branqueamento / Objecto de mão / Prata branqueada / 1995 / fotografia Pedro Sottomayor

Branqueamento
O termo branquear, significando “tornar branco”, ”limpar”, “purificar”, anda, de há anos para cá, ligado a atos de limpeza de atividades ou negócios ilícitos. Acontece que, para os joalheiros este termo representa, também, um processo de limpar metais com ácidos. No caso da prata, decorrendo uma ação aparentemente alquímica que transforma a matéria para a purificar, torna-a num tom branco leitoso. Assim, na origem deste projecto está a polissemia aqui representada pela palavra “branquear”. Formalmente, esta ideia é expressa pela subtração de elementos não essenciais e pelo uso constante do branco, puro, limpo, minimal. Criando uma monotonia intencional, repete-se em cada objecto, cadentemente, apenas com pequenas variantes. Simultaneamente, para acentuar visualmente a polissemia, as peças são também orgânicas. Introduzem um desafio lúdico, pretendendo provocar, gozo e curiosidade táctil. Diferentes surpresas e sensações podem, então, contrapor-se ao que os olhos primeiramente descobriram. Aquilo que aparentou ser leve pode ser pesado, estático ou móvel, mole ou duro, frio ou quente. Parecem ser feitas de uma matéria moldável, onde a mão ou os dedos, interferindo, transformaram. Por esta razão, são objetos/joias de mão, para serem manuseadas, aquecidas, ou apenas sentido o seu volume adaptando-se à própria mão.






Ana Campos


Ana Campos nasceu no Porto, Portugal, em 1953.
É joalheira e dedica-se, também, à investigação nesta área.

É doutorada em filosofia pela Universidad Autónoma de Barcelona.
Teve orientação do filósofo Gerard Vilar Roca. A respectiva tese doutoral intitula-se “La joyería contemporánea como arte. Un estudiofilosófico.”

Realizou uma pós-graduação em Relações Interculturais, pela Universidade Aberta, Porto, que conduziu ao mestrado na área de Antropologia Visual, cuja dissertação se intitula "Cel i Mar: Ramón Puig, actor num novo cenário da joalharia." Nesta dissertação, teve orientação do antropólogo José Ribeiro.

Licenciou-se em Design de Comunicação na FBAUP, Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.

Estudou projecto e técnicas de joalharia no Ar.Co, Lisboa, e na Escola Massana, Barcelona, como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.

Tem-se dedicado à curadoria de variados projetos, nomeadamente de joalharia, sendo estes nacionais e internacionais.

Escreve e pública regularmente, sobretudo sobre joalharia contemporânea.

No campo do ensino, na da ESAD – Escola Superior de Artes e Design, em Matosinhos, Portugal – foi professora de projecto e de teorias da arte e do design da joalharia contemporânea. Até 2013, foi directora do Curso/Ramo artes/joalharia e coordenadora da Pós-graduação em Design de Joalharia da ESAD.


CV completo aqui.

 

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23. JOALHARIA CONTEMPORÂNEA NA IBERO-AMÉRICA