CORPUS IN CLAUSTRUM 

Olga Noronha | Membro PIN
Sangue Novo,  Moda Lisboa


 

Impossível não lembrar as esculturas performáticas de Noam Ben Jacov dos anos 80, iniciadas no seu tempo de estudos na Gerrit Rietveld Academie com o Onno Boekhoudt e apresentadas no átrio do MNAA, em 2005, durante o Simpósio AOE em Lisboa, a convite da PIN.

Na contemporaneidade Corpus in Claustrum é, de facto, um trabalho que nos remete para trabalhos desenvolvidos entre os anos 60 e 80 do século XX, aquando das grandes transformações que se deram na sociedade e nas artes, nomeadamente na Europa.

Gijs Bakker e Emmy van Leersum – presentemente com uma retrospectiva da sua obra de 1960 no Stedelijk em Amesterdão – e Carolina Broadhead são exemplos de autores que expandiram o corpo para além da sua linha limítrofe. Desenharam e construíram formas mais ou menos ergonómicas, mais ou menos simbólicas mas que importa citar ao ver o Corpus in Claustrum.

A essência do projecto que Olga Noronha apresentou recentemente na Moda Lisboa - Sangue Novo situa-se numa ideia austera de enclausuramento, de reclusão e daí a presença do hábito monástico que nos reforça e intensifica essa intenção subjacente. Ideia essa claramente distante dos ideais de Bakker e van Leersum que procuravam apenas revolucionar a joalharia presa a clichés e a normas do passado, revitalizando-a ao recorrerem a outros materiais. Ou de Broadhead que poética e filosoficamente redesenhava o corpo.

Podemos pensar, motivados pelo contexto, que o trabalho de Noronha é irónico e provocatório assente em clichés já gastos em torno de questões sobre a religião. Podemos até ser levados a pensar que se trata de uma apropriação gratuita desses mesmos clichés. No entanto, estou convicta que não é essa postura fácil e oportuna que se trata. Olga Noronha no seu discurso e reflexão desenha um trabalho rigoroso que busca incessantemente encontrar sentido e coerência. Veja-se o seu projecto de investigação Joalharia Medicamente Prescrita.

Corpus in Claustrum peca pelo excesso de variantes, pela falta de tempo inerente a produções deste género feitos em tempo record e sem distanciamento crítico.

Nesta série encontramos algumas peças exímias no seu desenho e na sua construção, testemunhos reflexivos a guardar como manifestos de um tempo actual e de uma autora singular.

Cristina Filipe

 

Ver vídeo do desfile aqui.

 

+ info:
www.olganoronha.com

 

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23. JOALHARIA CONTEMPORÂNEA NA IBERO-AMÉRICA